Problemas e Doenças Oculares

 

Esta página pretende dar informação em linguagem simples sobre diversas doenças oculares. Conhecer as doenças e saber preveni-las é importante para a sua saúde. Em caso de doença, estas informações nunca deverão substituir a consulta médica.

 

Defeitos Refractivos (miopia, hipermetropia, astigmatismo, presbiopia, retinopatia diabética).

Os problemas visuais mais frequentes são os defeitos refractivos. Estes dizem respeito a um conjunto de alterações nos quais há uma focagem inadequada das imagens na retina. São, na grande maioria, facilmente corrigidos com óculos ou lentes de contacto. Em casos mais raros a cirurgia poderá ser uma opção.

 

É importante saber-se que:

muitas alterações da visão não são defeitos refractivos (várias doenças oculares e não oculares levam a perturbações visuais); alguns defeitos refractivos podem ter como causa certas doenças que só um médico oftalmologista poderá avaliar correctamente;

 

A miopia – É uma situação em que a imagem é focada à frente da retina e traduz-se por uma dificuldade de visão ao longe. Um olho míope é normalmente maior que o normal e é mais propenso a algumas doenças (ex. glaucoma, descolamento de retina, etc.) pelo que carece de uma atenção especial por parte do médico oftalmologista.

 

A hipermetropia – É um defeito refractivo caracterizado por dificuldade de visão ao perto. Provoca habitualmente fadiga ocular e até dores de cabeça com o trabalho mais minucioso ou com a leitura, pela exigência aumentada de focagem a que os olhos são solicitados. Um olho hipermétrope é habitualmente mais pequeno que o normal e a “resistência” à hipermetropia diminui com a idade. Pode ser a causa do mau aproveitamento escolar de uma criança

 

O astigmatismo – Corresponde a uma qualidade visual desigual consoante o eixo visual em causa. Resulta na maioria dos casos a uma curvatura desigual da córnea provocando uma visão distorcionada. Pode ocorrer isoladamente ou associado aos outros defeitos refractivos.

 

A presbiopia (ou vista cansada) – Corresponde à dificuldade de visão ao perto que é normalmente sentida a partir de certa idade (por volta dos 45 anos). É devida à perda de elasticidade progressiva do cristalino fruto da idade.

 

 

A Catarata

 

 

O que é uma catarata? A toda e qualquer alteração da transparência do cristalino (ver em Olho Normal ) chama-se catarata.

 

Quais as causas da catarata? São mais frequentemente resultado do normal envelhecimento mas podem também ser congénitas ou devidas a uma variedade de outros factores como por exemplo:

traumatismos, doenças crónicas dos olhos ou doenças sistémicas (de todo o organismo) como a diabetes.

 

Quais os sintomas de catarata? Habitualmente a catarata resulta numa turvação da imagem mas várias outras queixas poderão resultar da sua presença. O diagnóstico deverá ser sempre feito através da observação por um médico oftalmologista.

 

Como se tratam as cataratas? O principal tratamento das cataratas é cirúrgico. A operação às cataratas consiste na remoção da parte do cristalino opacificado e na colocação de um “cristalino artificial” dentro do globo ocular (lente intra-ocular) levando à recuperação visual. Existem várias formas de se realizar a cirurgia da catarata mas a mais actual e evoluida denomina-se facoemulsificação.

 

 

Glaucoma

 

 

O que é o glaucoma? É uma doença dos olhos na qual vai havendo uma progressiva subida da tensão ocular levando a diminuição da visão (podendo mesmo chegar à cegueira). Há vários tipos de glaucoma mas o mais frequente (e aquele a que se dedica este texto) é o glaucoma de ângulo aberto.

 

Porque sobe a tensão ocular? Há um líquido transparente que circula de dentro para fora do globo ocular (humor aquoso). Nas pessoas com glaucoma, e por razões ainda pouco conhecidas, este líquido começa a ter dificuldade de sair do globo ocular levando a um aumento da tensão ocular.

 

Quais os sintomas e os perigos do glaucoma? O aumento da tensão ocular, se não detectado e devidamente tratado, leva à “morte” lenta e progressiva do nervo responsável pela visão (nervo óptico). Estas alterações provocam uma perda da visão (em especial do nosso campo de visão). O glaucoma só dá sintomas numa fase avançada da doença e as alterações na visão só são sentidas pelo doente quando o nervo óptico já tem lesões graves e irreversíveis.

 

 

Estrabismo

 

O termo estrabismo é usado sempre que há um desalinhamento ocular. Este problema ocular surge habitualmente nas crianças podendo em muitas delas estar presente já à nascença. É muito importante diagnosticar e tratar esta doença quando a criança ainda é pequena pois, caso contrário, a visão de um dos olhos poderá ficar irremediavelmente diminuída. A criança com estrabismo tem tendência a usar menos o olho desviado que vai ficando “preguiçoso”. A esta baixa da visão resultante do estrabismo chama-se ambliopia.

O estrabismo pode ser constante ou surgir apenas em certos momentos. Os olhos podem estar desviados para dentro, para fora, para cima ou para baixo. Estes desvios podem também estar associados.

A persistência de um desvio ocular numa criança com 4 meses de idade torna necessário um exame oftalmológico. É também recomendável que todas as crianças tenham um exame oftalmológico pelos 6 meses de idade.

O estrabismo pode também surgir no adulto por doença ou traumatismo.

 

 

Retinopatia diabética

A diabetes é uma doença na qual, entre outras alterações, existe um aumento de “açúcar” no sangue. Esse descontrolo pode prejudicar várias zonas do corpo. Os olhos são um dos orgãos que pode ser gravemente atingido embora inicialmente não haja grandes sintomas. A retinopatia diabética é uma manifestação ocular da doença e é uma das principais causas de cegueira. Para evitar a cegueira é necessário controlar o melhor possível os níveis de açúcar no sangue (glicemia) desde as fases iniciais da doença.

A retinopatia diabética surge em consequência de alterações nos pequenos vasos sanguíneos da retina no interior do olho. Os vasos alterados deixam sair líquido e sangue para a retina levando à diminuição da visão. Nalguns casos desenvolvem-se vasos anormais na retina. Estes vasos são muito frágeis e sangram facilmente levando também à formação de tecido fibroso que repuxa a retina. Este estádio da doença é muito grave e chama-se retinopatia diabética proliferativa .

Um diabético deve fazer regularmente um exame médico ocular para detectar as alterações iniciais da retinopatia diabética. Por vezes é necessário o tratamento com raios LASER. Lembre-se no entanto que melhor do que tratar as alterações, é tentar preveni-las através de um maior cuidado com a sua saúde e, no caso de ser diabético, com a instituição de um regime de vida que permita o controle da doença